A espécie humana começa a despertar de um sonho profundo para se dar conta de que o desenvolvimento econômico deve ter limites, que os recursos naturais não são renováveis na mesma intensidade que vêm sendo consumidos e que, ao lado das milhares de espécies que ela coloca em perigo está sua própria existência no planeta Terra.
Como cidadão do mundo, o homem deve respeitar a vida das demais espécies da mesma forma que a sua própria e utilizar os recursos vegetais e minerais de forma sustentável e não abusiva.
A consciência ecológica, para além da consciência “ego-lógica”, deve no homem despertar um verdadeiro sentimento de comunidade global, unindo-o à Terra a partir de elevados valores éticos.
De fato, assim como o pescoço da girafa e o bico do tucano, o cérebro da espécie humana evoluiu de tal forma que lhe permite mudar conscientemente seus padrões genéticos e instintivos, e boa parte dos cientistas afirmam que em relação à natureza as atitudes e valores humanos precisam mudar rápida e radicalmente, antes que seja tarde demais.
É urgente, por exemplo, o desenvolvimento de tecnologias que não destruam os ecossistemas naturais e de novas fontes de energia limpa que substituam os combustíveis fósseis.
O verdadeiro “humanismo”, porém, somente se revela quando o homem ultrapassa as barreiras do gênero, da raça, das nacionalidades, das religiosidades e das espécies, pois o machismo, a xenofobia, o racismo, a intolerância religiosa e o especismo são estágios mentais primitivos que só fazem aumentar os conflitos sociais, uma vez que eles são fundados em valores como medo, violência, ignorância e alienação.
A indústria da moda começa a perceber a necessidade de conciliar o ato de se vestir bem com os valores ambientais e a confeccionar roupas não provenientes da exploração de animais. Na verdade, não existe nenhum motivo legítimo que justifique a matança de animais inocentes para a utilização de sua pele ou lã como vestimenta, uma vez que as roupas de pele não são indispensáveis para nossa sobrevivência, mesmo porque já existem roupas que imitam perfeitamente a beleza e textura da pele dos animais.
Seja como for, é preciso saber que uma fábrica de peles é uma verdadeira casa dos horrores. Os minks, por exemplo, são mortos com uma cinta de metal ao redor do focinho e uma haste de metal eletrificada enfiada no ânus, e em seguida, são eletrocutados várias vezes até a morte por eletrocussão anal.
O processo químico de curtimento do couro é severamente nocivo aos que nele trabalham, aos córregos e rios da região e aos animais, pois nós sabemos muito bem como são tratados e mortos os bois e vacas em nosso país.
Como disse Tom Regan certa vez, o único lugar para uma pele ou para um pelo é no próprio animal a quem essa pele ou pelo pertence, pois o dinheiro que se ganha à custa da violação dos direitos dos outros não pode nunca ser considerado justo.
Sapatos, cintos, carteiras e muitos outros produtos que não são feitos de couro já estão disponíveis no mercado, tais como peles de carneiro sintéticas, couro vegetal, Tencel e os casacos de pleather – mais quentes e resistentes do que os de couro –, que podem ser adquiridos em lojas especializadas ou pela internet.
Filósofos como Kant e Descartes não concebiam a possibilidade de os animais um dia ingressarem em nosso círculo jurídico ou de moralidade, mas hoje em dia sabemos muito bem que eles possuem valor intrínseco, o que nos obriga a julgá-los com mais humildade e atenção.
Não apenas o homem deve ser considerado como um fim em si mesmo, já que ele vive em interdependência com as demais formas de vida, ao passo que a realidade não é formada de “coisas”, mas de ações que mudam constantemente seus padrões de relacionamento no processo de criação e atualização.
Hoje sabemos que, quando o homem destrói a natureza, ele está jogando fora a sua própria humanidade e colocando em risco a própria sobrevivência na Terra, provavelmente o único planeta vivo do Universo.
A vida é uma preparação para a morte. Nesse processo o aprendizado a vida é a experiência mais importante da existência de qualquer espécie, e a vida humana, por sua vez, possui uma única essência: uma consciência em expansão que se revela através do pensamento, sentimentos e ações.
Assim, somente por meio de uma moda vegana, que recuse terminantemente a exploração institucionalizada dos animais não humanos, podemos unir os três valores platônicos fundamentais: o bem, o belo e a verdade.

