Moda praia é a minha praia, diz o estilista ex-Amir Slama.
Rosa Chá sempre foi sinônimo de Amir Slama. Afinal, nenhuma outra marca de beachwear brasileira ganhou tanta notoriedade, com celebridades nacionais e internacionais disputando o privilégio de entrar em um dos belos maiôs Made in Brazil. Em maio deste ano, foi anunciada a saída dele da Rosa Chá, vendida, agora por inteiro, para a Marisol. Pela primeira vez, em nove anos, a coleção de verão não será apresentada nas semanas de moda. A edição de agosto do UseFashion Journal traz, na íntegra, uma entrevista com ele, falando de sua trajetória profissional, a paixão pela moda praia, a intenção de criar a Amir Slama, nova grife de beachwear, entre outros assuntos. A seguir, o portal adianta algumas partes.
Use Fashion – Moda praia é a sua praia?
Amir Slama – Moda praia é a minha praia… Percebi isso rapidamente. Fazer isso em São Paulo, na época, era como uma blasfêmia. Mas insisti muito em poder dizer e mostrar que traduzir a sensualidade da mulher brasileira não era determinado por uma só cidade do Brasil – na época, o Rio de Janeiro. Uma moda praia que partia da cidade urbana em direção à praia e retornava à cidade era o que idealizava este novo prêt-à-porter, tão difícil de ser entendido pela imprensa nacional na época.
UF – Você declarou que a venda total da suas grifes ocorreu porque percebeu que isso já havia acontecido de fato. Só não estava oficializado. O que o levou a perceber as coisas desta maneira?
AS – Sempre trabalhei em equipe, dividindo ideias, conceitos, problemas e soluções. Nunca me senti dono da Rosa Chá. Sempre que me descreviam desta forma em matérias, achava horrível, pois dava uma conotação de padaria, botequim. Uma empresa moderna, ainda que com base familiares, monta seu planejamento em consenso interno. E era assim que eu fazia.
Quando fui procurado pela Marisol, o negócio Rosa Chá havia atingido um tamanho em que, por limites de investimento, tinha deficiências na área produtiva e de logística. Existia uma demanda que estávamos atendendo de forma ruim. Todo o negócio, até então, havia sido estruturado com investimentos próprios e crescido com muito ideal (…).
UF – Como você vê este momento em que a gestão de marcas, a logística e a injeção de investimentos aporta na moda brasileira?
AS – Confuso. Sempre o novo é um pouco confuso. A moda vista como negócio é novidade, em uma moda nova como a nossa no Brasil. É importante observar que a moda tem códigos e necessita de gestores aptos. Capital existe muito, gestores e bons profissionais que entendam a moda e seus mecanismos ainda faltam em nosso mercado.
UF – Recentemente, Paulo Borges esteve no Festival de Hyères, na França, citando o Brasil como um fashion player no mercado mundial. Você concorda que temos este posicionamento?
AS – Acho que temos tudo pra ter, mas ainda não temos.
UF – A marca Amir Slama é para breve?
AS – Muito.
UF – Qual será o segmento de atividade?
AS – Sem dúvida, a praia e suas relações.
Publicado por Usefashion.

